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Moradores da Cidade de Deus encontram sete corpos de jovens desaparecidos

Por Notícia na Tela
20 de novembro de 2016 13:22 Comentários
Fotos: O Globo
Moradores da Cidade de Deus retiraram da mata sete corpos de jovens da comunidade, na manhã deste domingo. Eles foram colocados pelos pais em uma praça próxima ao condomínio Itamar Franco, na localidade do Karatê. Desde cedo, os pais já denunciavam o desaparecimento dos filhos logo depois do tiroteio da tarde de sábado.
O morador Thiago Oliveira está no local acompanhando a busca pelos corpos. Ele é amigo de um dos pais das vítimas e também reforça a versão de que houve execução.
— Os corpos estão com ferimentos de facas, como se tivessem sido torturados. Parece que encapuzaram as vítimas e começaram a atirar. É ódio gerado por ódio, uma crueldade — afirma Thiago, que também diz que circula a informação na comunidade sobre a morte de uma criança de quatro anos, por bala perdida.
Antes dos corpos serem encontrados, um vídeo divulgado nas redes sociais mostrava uma mãe, desesperada, tentando achar o filho. A polícia estava impedindo o acesso de pessoas à mata, onde as vítimas foram encontradas.
O clima na Cidade de Deus segue tenso após os tiroteios e operações policiais que culminaram com a queda de um helicóptero da Polícia Militar, com quatro militares mortos.
A moradora Vivi Salles iria realizar um sarau comemorativo de cinco anos do Poesia de Esquina, movimento criado por ela para reunir poetas da Cidade de Cidade de Deus, ontem, mas teve que cancelar o evento, por causa dos confrontos entre criminosos e policiais na região. A poetiza, que tem 26 anos, disse que nunca havia presenciado tanto tiroteio durante o dia.
— Normalmente era só de madrugada, agora passou a ficar normal ouvir tiros durante as manhãs. Ontem, eu achava que a situação ia se estabilizar depois do meio-dia. Mas o tiroteio voltou com tudo à tarde e perdurou até as 22h. Outro evento cultural além do meu também teve que ser cancelado. Houve uma sequência de tiros muito grande na tentativa de abater o helicóptero — afirmou Vivi.


OPERAÇÃO POR TEMPO INDETERMINADO



Desde ontem, policiais de vários Batalhões realizam uma operação pente-fino na comunidade. Por determinação da cúpula da segurança, a operação que começou na manhã de sábado, após bandidos atirarem contra policiais da UPP, continuará por tempo indeterminado.
O clima da comunidade é de apreensão. Pouco movimento nas ruas. O serviço de mototáxi foi suspenso por determinação policial. Todos os carros que entram ou deixam a Cidade de Deus passam por rigorosa revista. Participam das operações policiais do Choque, do Bope, de Operações com Cães, os batalhões de Jacarepaguá e da Barra, além de policiais de várias UPPs.
Na manhã deste domingo, pelo menos três pessoas foram detidas durante a operação da Polícia Militar na Cidade de Deus. Na ação, foram apreendidos fuzis e drogas. Os policiais ocupam a comunidade à procura de bandidos que entraram em confronto com agentes no sábado. Em seu perfil no Facebook, a Polícia Militar prestou uma homenagem aos PMs mortos, publicando uma mensagem de luto.
A operação policial interdita ruas no entorno da comunidade. Segundo o Centro de operações da prefeitura, a Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes está fechada em ambos os sentidos, entre as ruas Antonieta Campos da Paz e a Edgard Werneck.
Já a Rua Edgard Werneck também está interditada em ambos os sentidos, entre a Estrada Marechal Migual Salazar Mendes de Moraes e a Rua Suzano. As estradas dos Bandeirantes, do Gabinal e a Linha Amarela são opções para os motoristas. A UPA do local também está fechada e o atendimento está sendo feito no Lourenço Jorge.
Ainda como consequência do confronto, a estação Divina Providência, do BRT Transcarioca (Barra da Tijuca-Aeroporto Tom Jobim), foi alvo de atos de vandalismo neste sábado. A estação, próxima à Cidade de Deus, teve oito vidros quebrados, além de quatro monitores de TV, perfis metálicos e bancos amassados e geladeira de refrigerante derrubada. O Consórcio BRT estimou o prejuízo material em pelo menos R$ 10 mil. (O Globo)