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Após ameças, Justiça ordena retorno de detentos para Manaus em menos de 24 horas

Por Notícia na Tela
10 de janeiro de 2017 13:24 Comentários
Fotos:Marlene Bergamo/Folhapres
Menos de 24 horas após serem transferidos para o interior do Amazonas, a Justiça ordenou, na noite de segunda-feira (9), a "remoção imediata" de 20 presos da unidade prisional de Itacoatiara, cidade a cerca de 270 quilômetros da capital, e o retorno deles para Manaus, onde estavam até a manhã de ontem.
"Os transferidos continuam ameaçados de morte, desta feita pelos presidiários de Itacoatiara, que não aceitam a permanência dos mesmos nas dependências da UPI", argumentou a juíza Dinah Câmara Fernandes de Souza, da Comarca de Itacoatiara da Justiça do Amazonas, na decisão. Os detentos estão de volta à Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus.
O pedido pela volta deles foi feito pela Seap (Secretaria de Administração Penitenciária). "Medidas estão sendo adotadas para a transferência e locação dos mesmos em Manaus", disse, em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Amazonas. Segundo o comunicado, o pedido da Seap visou a "segurança dos detentos".


"Verifico que a transferência dos 20 presos, na segunda-feira, para esta comarca não surtiu o efeito de diminuir a crise no sistema penitenciário no Estado", disse a juíza, que baseou a medida em contatos com o diretor da unidade prisional de Itacoatiara e juízes auxiliares da presidência do TJ-AM (Tribunal de Justiça do Amazonas), de Manaus, que havia autorizado a transferência para o interior. "É dever do Estado garantir a integridade física e moral do preso, garantia esta que não se verifica neste momento nas dependências da UPI."
Os presos foram retirados da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa ontem por solicitação da Defensoria Pública do Amazonas em função de "risco de novas mortes devido ao clima de animosidade".
Na madrugada de domingo (8), quatro detentos morreram após uma rebelião na cadeia pública. O local, que ficou desativado por três meses por falta de estrutura e segurança, foi reaberto no dia 3 de janeiro para receber 284 detentos após os massacres que deixaram 60 mortos em dois presídios, no início do mês. Três dos presidiários mortos no Raimundo Vidal foram decapitados. O outro morreu asfixiado. 
Ao UOL, a Defensoria Pública disse que, independentemente do retorno dos detentos para Manaus, vai continuar acompanhando a situação e atendendo os familiares dos 20 presos.
Em nota, a instituição disse que acertou com o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, "a formação, em caráter imediato, de um grupo para atender os familiares dos presos transferidos a fim de acelerar a concessão dos benefícios que a Lei de Execução Penal prevê".
O atendimento começa nesta terça-feira na sede da Defensoria Pública do Amazonas.