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'Não fui o primeiro e nem serei o último', diz assassino de servidora do Detran

Por Notícia na Tela
28 de dezembro de 2017 16:09 Comentários
Foto: Betto Jr/ CORREIO
"Não me considero um monstro, não fui o primeiro e nem serei o último a cometer esse ato", afirmou o comerciante Jailson Santos Mendonça, 46 anos, que esfaqueou e matou a ex-companheira, a servidora do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), Maridalva da Silva Mendonça, 46 anos. Ele vai responder por feminicídio.
Na manhã desta quinta-feira (28), ele foi apresentado na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba, após receber alta médica do Hospital Geral do Estado (HGE), onde estava internado desde o dia do crime. Depois de assassinar a ex-mulher, Jailson ingeriu veneno para rato e por isso foi socorrido para a unidade médica. 
Durante a apresentação, Jailson afirmou diversas vezes que não tinha a intenção de matar a ex-mulher e que o crime foi cometido depois de "perder a cabeça". De acordo com o comerciante, antes de encontrar com Maridalva na escaria principal do Detran, ele pensava em tomar o veneno e entregar para ela um bilhete de despedida. Não foi o que aconteceu. 
Segundo Jailson, ele e a servidora tiveram uma discussão que terminou com o assassinato da mulher. Marivalda foi esfaqueada diversas vezes, nas costas, tórax e pescoço. O bilhete que Jailson pretendia entregar para a ex-mulher foi encontrado em um dos bolsos da roupa usada por ele no dia do crime.
"Eu a amava muito, foi um ato sem pensar, eu não sou um monstro, foi um ato de nervosismo. Como aconteceu comigo pode acontecer com outras pessoas", afirmou Jailson para jornalistas. 
Escrito em um pedaço de folha de caderno, o bilhete dizia: “veja o que vocês fizeram no Natal. Mudou. Tudo era diferente. Estava tudo bem [entre] eu e Mari”. A mensagem era destinada para Davi, Antônio, Gegeu e Andreia que, segundo Jailson, são irmãos da vítima. 
O comerciante disse que os irmãos de Maridalva teriam impedido que ela se encontrasse com ele na noite de Natal. Segundo a família da vítima, o casal já estava junto há um ano, mas, há cerca de um mês Marivalda colocou um ponto final na relação. Jailson não aceitou a separação e começou a ameaçar a servidora. 
"Eu fiz a carta pra dizer: 'tome, dê para seus irmãos e diga o que eles fizeram comigo no Natal. Me deixaram passar o Natal sozinho, sem você, longe de você", disse, explicando sobre o conteúdo do bilhete. 
Para o delegado Guilherme Machado, coordenador da 2ª Delegacia de Homicídios, o ato de tomar veneno não teria passado de uma 'encenação' e que a quantidade de substância ingerida por Jailson deve ser avaliada.
"É preciso levar em consideração se a quantidade da substância era suficiente para tirar a vida. Ou se tudo isso, repito, não passou de um puro teatro, para poder ter um suposto julgamento mais brando por parte da sociedade, inclusive dos familiares",  afirma Guilherme. 
Para a polícia, não há dúvidas de que o crime foi premeditado. Isso porque Maridalva recebeu várias ameaças do ex-companheiro pelo celular. Em um dos áudios enviado por ele à vítima no dia 14 de dezembro, Jailson promete matar a servidora na noite de Natal.
A intenção dele, segundo o delegado, era de matar a vítima nessa data. O delegado acredita ainda que seja por isso que os irmãos teriam proibido Maridalva de se encontrar com o criminoso.
"Sem dúvidas nenhuma ele premeditou o crime, tivemos acesso às mensagens trocadas pelo WhatsApp. Desde o dia 14 de dezembro, ele vinha ameaçando ela de morte porque não aceitava o fim do relacionamento. Jailson prometeu matá-la no dia do Natal, infelizmente, a vítima não levou a sério as ameaças que foram feitas e não procurou a polícia", lamentou o Guilherme. 
Jailson disse ainda que, uma semana antes do crime, teria tido um desentendimento com Maridalva depois que ela informou que não voltaria a visitar o ex-companheiro na cidade de Muritiba, onde o comerciante morava. "Ela tinha prometido também que depois que o contrato dela com o Detran vencesse voltaria comigo", afirmou. 
De acordo com familiares da vítima, o comerciante trabalhava em um supermercado de um dos irmãos de Maridalva. Ela ia com frequência até a cidade de Muritiba visitar Jailson. 
Depois de ser ouvido e confessar o crime, Jailson está preso e segue para o Presídio de Salvador, no Complexo da Mata Escura, onde ficará à disposição da Justiça. "Ele vai responder por homicídio qualificado, até duplamente qualificado, por ter feito uma emboscada, também pela questão do feminicídio, por não ter dado chances de defesa à vítima", conclui o delegado. 
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