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Deslizamentos de 2018 já superam em 79% os casos no ano passado

Por Notícia na Tela
29 de junho de 2018 18:02 Comentários
Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE
O deslizamento que aconteceu nesta quarta-feira, 27, na avenida Afrânio Peixoto (Suburbana), no bairro de Plataforma, foi apenas um dos 738 registrados, até o momento, em 2018 na capital baiana. Os números deste ano, conforme dados da Defesa Civil de Salvador (Codesal), já superam a quantidade de todo o ano de 2017, que contou com 412 casos, contabilizando aumento de 79%.
A quantidade de imóveis condenados também teve crescimento com 940, em 2018, contra 652 casos em 2017. O engenheiro civil e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea), Luís Edmundo Campos, explica que as chuvas mais fracas e insistentes podem gerar mais deslizamentos que uma chuva forte e rápida.
"A chuva constante tem tempo para penetrar no terreno. Já a forte, sem chuvas anteriores, vai escoar mais superficialmente, descendo como uma cachoeira. Neste caso, o problema é o alagamento", esclarece. Com o passar da estação chuvosa, a chuvinha fraca, constante, é muito mais perigosa para deslizamento.
Ele explica ainda que esse tipo de movimentação do solo pode ocorrer inclusive sem chuva. "Temos casos de deslizamentos que aconteceram em pleno sol, mas por causa da água que penetrou dias antes".
De acordo com uma pesquisa realizada em 2010, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na tarde desta quinta-feira, 28, Salvador possuía 45% da sua população morando em áreas de risco, o que corresponde a 1.217.527 pessoas (leia abaixo).

Ações
Para diminuir as ocorrências, a Codesal afirmou que, entre 2016 e 2017, foram aplicados 60 mil m² de geomantas em encostas de comunidades que vivem em áreas de risco de Salvador, em 88 pontos de 28 bairros. O órgão afirmou ainda que estão em execução mais 24 pontos, totalizando 20 mil m².
O mau uso do terreno pode ser um dos fatores que contribuem para a movimentação de terra, de acordo com o especialista. "O que o pessoal faz é, para aplanar o terreno, apenas joga terra em cima. Isso deixa suscetível a movimentação do solo. O ideal é construir sobre pilares, como em uma espécie de palafitas, para ter a menor movimentação possível", completa.
A reclamação da maior parte das pessoas ouvidas por A TARDE é que o auxílio-aluguel que a prefeitura oferece, no valor de R$ 300, é insuficiente. "Com esse dinheiro vou pra onde? Só estou achando aluguel de R$ 500, R$ 600. Com o que a prefeitura quer dar, vou me mudar para um lugar pior que aqui", conta Ivanilda da Conceição, que mora há 32 anos na rua Planalto Real Dois, próxima à encosta que deslizou em Plataforma.
Questionada, a Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps) afirmou que não existe previsão de quando o valor vai ser reajustado. O órgão informou que o auxílio recebeu reajuste de 100% em 2015, quando o valor era R$ 150.
A pasta salientou ainda que, além do auxílio-aluguel, outros benefícios assistenciais podem ser disponibilizados, como o auxílio-emergência – no valor que varia de um a três salários mínimos. O encaminhamento varia de caso a caso e é feito a partir de uma análise de assistentes sociais da Semps.

Deslizamento assusta moradores na Suburbana
Um deslizamento de terra na manhã desta quarta-feira, 27, obrigou moradores a deixarem suas casas na avenida Afrânio Peixoto (Suburbana) por conta do risco de desabamento.
A TARDE

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