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Lavoura de trigo deve crescer 400%

Por Notícia na Tela
11 de julho de 2018 08:42 Comentários
Foto: Georgina Maynart
O cultivo irrigado é mantido por 6 produtores rurais, que expandiram a área plantada para 3.300 hectares este ano. “A qualidade do trigo é muito boa. Os produtores conseguem comercializar toda a safra, principalmente para moinhos de Brasília. A tendência é que os agricultores passem a plantar ainda mais”, diz o assessor de Agronegócio da AIBA, Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, Luiz Stahlke.
O cereal, cultivado na entressafra da soja, ocupa fazendas nos municípios de Riachão das Neves, São Desidério e Barreiras. “O plantio é nesta época, quando a temperatura na região gira em torno de 14 a 16 graus. Ideal para o plantio. Plantamos agora e começamos a colher a partir de agosto”, explica Stahlke. A AIBA não confirma os dados, mas de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, divulgado esta semana, a produção de trigo na região Oeste, em 2018, deve ser 400% maior do que em 2017. Segundo o Instituto, ano passado, a produção não passou de 3 mil toneladas.   

Crescimento
Nem a soja, nem o algodão, tampouco o milho. Apesar do bom desempenho destas culturas este ano, o trigo é a lavoura que mais tem crescido na Bahia, segundo o IBGE.
Os dados apontam um crescimento de 8,5% na produção de soja, 35,4% nas plantações de algodão, 25% nas lavouras de milho. Outros dois cultivos se destacam na pesquisa: o amendoim e o fumo. O amendoim deve ter variação positiva de 162% na primeira safra. Já o fumo deve registrar variação de 123% em 2018.  
Os agricultores baianos que passaram a cultivar o grão, estão de olho num mercado crescente de trigo no mundo, com grandes possibilidades de ampliação.
Entre os cereais, o trigo é o segundo mais consumido, depois do milho. Estima-se que o consumo mundial de trigo é de 67 kg por pessoa. Em alguns países, como a Dinamarca, o consumo per capita ultrapassa os 100 kg. Boa parte da produção de trigo é direcionada para a fabricação de cervejas.
Os especialistas também apontam que o cultivo do trigo traz benefícios para o solo. A gramínea ajuda a suprimir doenças como o mofo branco. O trigo teria a capacidade de quebrar o ciclo destas doenças, viabilizando o cultivo de outras plantas no mesmo terreno.  

Pãozinho
O aumento na produção de trigo na Bahia não deve influenciar, imediatamente, nos preços dos alimentos que contém o cereal. É que apesar do crescimento na oferta interna, a Bahia, assim como todo o Brasil, não é autossuficiente na produção do grão.
O país importa a maior parte do cereal usado pelas confeitarias, padarias e agroindústrias de pães, biscoitos e farinhas. 80% do trigo vem de outros países, principalmente Argentina e Canadá.  
Segundo a Abitrigo, Associação Brasileira da Indústria de Trigo, o Brasil precisou importar mais de 4 milhões de toneladas em 2017, apesar de ter produzido 6 milhões de toneladas do grão.  
A cotação internacional do produto influencia diretamente no preço final de muitos alimentos. A farinha de trigo é o ingrediente básico na formulação do pão francês, e corresponde a 60,6% da massa. Com o dólar em alta, a crescente oferta interna de trigo está longe de puxar para baixo os preços do pãozinho.
A tendência é contrária. Segundo o Presidente do Sindicato da Indústria de Panificação de Salvador, Florêncio Rodrigues, a situação é preocupante. Nos últimos 60 dias o preço da farinha de trigo aumentou cerca de 45%, por causa da variação do dólar. Os representantes do setor adiantam que, em algum momento, a alta será repassada para o consumidor. 
“Nós não temos como arcar com isso. Se as padarias segurarem esta situação, quebram. Estamos avaliando e tentando uma forma de repassar, gradativamente, até porque o mercado está fraco, as vendas em baixa. Durante as férias escolares o movimento cai e já tem muitas padarias em dificuldade”, adianta Rodrigues. 
Ainda segundo Rodrigues, o aumento gradativo deve chegar a 10% para o consumidor. Atualmente, a maioria das padarias de Salvador vende o pãozinho francês por preços que variam de R$ 6 a 7 o quilo.

História    
O cultivo do trigo é um dos mais antigos no mundo. Segundo os historiadores, 10.000 anos antes de Cristo o cereal já era cultivado na Mesopotâmia, atual Egito.  
De lá, se espalhou pelo mundo. Ganhou espaço na China e nos países europeus. Chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses a partir de 1534.
Mas o clima quente dos trópicos não favoreceu o cultivo, na maior parte das regiões. Por isso, a farinha de mandioca ganhou espaço e passou a ser mais cultivada.  
No Século XVIII, o trigo começou a se expandir na região Sul do Brasil e se consolidou nos anos de 1940 no Paraná. Atualmente o estado é o maior produtor de trigo do país.
Segundo os especialistas, outras regiões da Bahia oferecem condições promissoras de cultivo do trigo. Nos anos 2000, plantações experimentais do cereal chegaram a ser testadas em fazendas da Chapada Diamantina. A região tem condições climáticas ideais de altitude e temperatura. Mas as lavouras não obtiveram sucesso, devido a problemas no fornecimento de água para irrigar as plantações. 

Contramão 
Na contramão do país, a estimativa da safra de grãos da Bahia foi revisada para cima pelo IBGE. As chuvas abundantes e bem distribuídas ao longo do ciclo teriam beneficiado as lavouras do Estado.
A safra baiana de cereais, leguminosas e oleaginosas deve ser 12,8% maior do que a de 2017. Enquanto a tendência é de queda no restante do país, onde a previsão é de que a safra agrícola seja 5,3% menor em 2018. 
De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado pelo instituto, a Bahia deve produzir mais de 9 milhões de toneladas de grãos este ano. Das 26 safras investigadas pelo IBGE, 14 devem ter crescimento no estado. Os destaques vão para a cana-de-açúcar (+44,8%), a soja (+8,5%), o milho (+25,1%) e o algodão (+35,4%).  
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