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Ministério Público denuncia sete PMs pelo desaparecimento de Davi Fiúza

Por Notícia na Tela
10 de setembro de 2018 13:34 Comentários
Sete policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por conta do desaparecimento do adolescente Davi Santos Fiúza, ocorrido no dia 24 de outubro de 2014, na localidade conhecida como Jardim Vila Verde, na Estrada Velha do Aeroporto, em Salvador. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (10), pelo MP-BA.

Os policiais denunciados pela Justiça são: Moacir Amaral Santiago, Joseval Queiros da Silva, Genaro Coutinho da Silva, Tamires dos Santos Sobreira, Sidnei de Araújo dos Humildes, George Humberto da Silva Moreira e Ednei da Silva Simões. Eles responderão pelos crimes de sequestro e cárcere privado.

A denúncia foi feita pelos promotores de Justiça Ana Rita Nascimento e Gildásio Galrão e distribuída para a 2ª Vara de Crimes Praticados contra o Menor.

Em 7 de agosto deste ano, o advogado da família de Davi Fiúza informou que o inquérito da Polícia Civil enviado ao MP-BA indiciava 17 PMs e acrescentava os crimes de homicídio e ocultação de cadáver. O MP explicou em nota que a investigação policial não forneceu subsídios suficientes para que o Ministério Público denuncie os policiais pelo crime de homicídio.

“A Autoridade Policial não logrou êxito em localizar o menor, seja este com vida, ou seus restos mortais, para que sejamos capazes de apontar, com supedâneo no laudo cadavérico próprio, as causas e circunstâncias que cercaram a sua morte, acaso esta tenha ocorrido”, afirma a promotora Ana Rita Nascimento.

Advogado Paulo Kleber Filho havia informado que inquérito da Polícia Civil indiciava PMs também por homicídio e ocultação de cadáver (Foto: Reprodução/TV Bahia) Advogado Paulo Kleber Filho havia informado que inquérito da Polícia Civil indiciava PMs também por homicídio e ocultação de cadáver (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Advogado Paulo Kleber Filho havia informado que inquérito da Polícia Civil indiciava PMs também por homicídio e ocultação de cadáver (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Segundo a denúncia do MP, no dia do crime, os policiais participavam de um curso de nivelamento realizado pela 49ª CIPM e pelo Pelotão Especial Tático Operacional (Peto), com prática de incursão nas localidades do Cassange, Planeta dos Macacos, Vila Verde, dentre outras. O posicionamento das viaturas envolvidas no evento e de seus ocupantes foi definido a partir das informações dos mapas dos GPS instalados nas viaturas e dos aparelhos de rádio (HTs) dos seus comandantes.

O MP informou que, de acordo com os dados colhidos, alinhados aos relatos de uma testemunha que residia no local, Davi Fiúza foi abordado na Rua São Jorge de Baixo por quatro policiais armados e sem fardamento, que o colocaram com as mãos na nuca e de joelhos, próximo a um veículo azul e branco. Os outros três policiais fardados desceram até a rua através da Travessa Pitangueiras, indo ao encontro dos demais. A testemunha passou pelo grupo para ir à casa de uma vizinha e, no retorno, viu o veículo passando e os policiais fardados retornando andando. Foi a última vez que o adolescente foi visto na comunidade.

Para a promotora Ana Rita, a prova testemunhal é insuficiente para a conclusão da prática de homicídio, uma vez que a testemunha afirma ter visto apenas a abordagem ao menor. “Não há qualquer outro indício que leve a sustentar a ocorrência do delito de homicídio no bojo do que fora coletado”, conclui.

Uma entrevista coletiva será realizada às 10h desta segunda-feira, na sede do MP, localizado no bairro de Nazaré, ocasião na qual a promotra A promotora prestará esclarecimentos adicionais.

"O caso chegou no Ministério Público, foi concluído o inquérito e a minha esperança agora não é vingança, é justiça, que é diferente de vingança. Que essas pessoas sejam denunciadas pelo Ministério Público. E é isso que nós estamos fazendo. Trabalhando juntamente com a ONU [Organização das Nações Unidades] e com a Anistia Internacional, fazendo uma pressão para que eles [os policiais] sejam denunciados. E é isso que eu vou fazer até o final. Para que essas 17 pessoas que desapareceram com o meu filho, que sequestraram e que decidiram fazer, nesse dia, um holocausto dele. Essas pessoas fizeram um holocausto de Davi. Para que eles sejam julgados, para que eles vão a júri popular. Justiça ainda que tardia, mas que ainda tenha justiça", falou Rute.

Inquérito
O inquérito foi concluído pela Polícia Civil e entregue ao MP-BA no dia 2 de agosto, quase quatro anos após o caso, mas o órgão manteve em sigilo. Inicialmente, 23 militares tinham sido indiciados, mas o MP pediu novas investigações à polícia, que, após revisão do inquérito, indiciou 17 policiais pelo crime.

A conclusão do inquérito pela Polícia Civil foi adiada várias vezes. O documento deveria ter entregue, já com atraso, em janeiro de 2017. No entanto, após solicitação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o MP-BA concedeu mais 90 dias para a conclusão. O novo prazo terminaria em abril do mesmo ano, mas a investigação não foi finalizada.

Caso
Davi Fiúza desapareceu após abordagem policial (Foto: Rute Fiúza / Arquivo Pessoal) Davi Fiúza desapareceu após abordagem policial (Foto: Rute Fiúza / Arquivo Pessoal)
Davi Fiúza desapareceu após abordagem policial (Foto: Rute Fiúza / Arquivo Pessoal)

O adolescente David Fiúza sumiu após uma abordagem realizada por policiais do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) e Rondas Especiais (Rondesp), no bairro de São Cristóvão, na capital baiana.

A família denunciou que ele foi encapuzado com a própria roupa, por policiais. Ele teve mãos e pés amarrados e foi colocado no porta mala de um dos carros que não tinha plotagem. No momento da ação, o menino conversava com uma vizinha na Rua São Jorge de Baixo, que fica na comunidade de Vila Verde.
G1/BA


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