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Intervenção federal na segurança pública do Rio chega ao fim após dez meses

Por Notícia na Tela
27 de dezembro de 2018 20:17 Comentários
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A intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro fez hoje uma solenidade de encerramento. Em dez meses, ela reduziu os assassinatos e os roubos. Já o número de mortes em confronto com a polícia disparou.

Uma cerimônia rápida para encerrar dez meses de intervenção federal na segurança pública do Rio. As tropas militares chegaram numa das piores crises econômicas da história do estado. Salários da polícia em atraso, viaturas sucateadas e muitas áreas dominadas pela violência.

De março a novembro de 2018, houve 208 operações policiais, com apoio das Forças Armadas, em comunidades do Rio. As estatísticas revelam redução em oito de 12 tipos de crimes.

Os homicídios dolosos - quando há intenção de matar -, que vinham em alta desde 2016, tiveram uma redução de 13,6%. O latrocínio - roubo seguido de morte - caiu quase 34%. O roubo de carga, 19%. Os roubos de carros e a pedestres também caíram. Mas um crime subiu quase 40%: nunca se matou tanto em confrontos com a polícia.

De janeiro a novembro, 1.444 pessoas perderam a vida em ações policiais no Rio. Média de quatro mortes por dia. O Gabinete de Intervenção diz que as mortes aumentaram porque houve mais confrontos entre bandidos e a polícia.

A falta de dinheiro era um dos principais problemas para o enfrentamento da violência. Com a intervenção, o governo federal destinou R$ 1,2 bilhão para o Rio. A maior parte desse dinheiro, que deve chegar a 90% nesta sexta-feira (28), foi reservada; comprometida para a compra de viaturas, helicópteros, armamentos. Os 10% restantes, se não forem usados até segunda feira (31), terão que ser devolvidos ao Governo Federal.

“Estamos trabalhando intensamente para chegar ao 100%. Nós poderemos ter a situação de algum processo... Não conseguirmos encerrar até dia 31", declarou o General Laécio Andrade, secretário de Administração da Intervenção.

A quatro dias do fim da intervenção, a população do Rio reconhece os resultados, mas acha que ainda há muito o que fazer.

“Melhorou. A gente consegue ter uma sensação de mais presença em alguns pontos da cidade; da polícia, até mesmo dos militares. Entretanto, existem algumas áreas ainda que estão muito carentes, ainda precisam de mais atenção”, acredita o analista de sistemas Silas Emílio. “Eu acho que o Rio continua violento e alguma coisa mais eficaz tem que acontecer”, diz o a guia de turismo Soraia Zacarias.

O interventor, general Braga Netto, afirmou que a intervenção, que acaba no último dia do ano, cumpriu o seu papel: “Atingiu todos os objetivos propostos de maneira a recuperar a capacidade operativa dos órgãos de segurança pública e baixar os índices de criminalidade. Temos a convicção de que trilhamos um caminho difícil e incerto, mas cumprimos a missão".
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