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Folião que for para área de mata deve tomar vacina até dia 30

Por Notícia na Tela
25 de janeiro de 2018 15:16 Comentários
A recomendação do Ministério de Saúde para o Carnaval 2018 é que o folião que for para área de mata das áreas onde há circulação do vírus da febre amarela se vacine pelo menos dez dias antes do deslocamento para que a imunização seja eficaz. Isso signfica dizer que quem for para áreas de ecoturismo, onde há matas e cachoeiras nas regiões de circulação do vírus, como Sudeste, por exemplo, deve se vacinar até o dia 30, próxima terça-feira (para os que irão viajar na sexta-feira, dia 9). 
A febre amarela no Brasil é do tipo silvestre, transmitida pelo mosquito Haemagogus. Nem todos os brasileiros precisam ser vacinados. A recomendação do Ministério da Saúde é para quem mora em municípios onde há risco de transmissão. E há municípios onde há risco de transmissão em todos os Estados do País. Para checar se a vacina é recomendada é importante consultar a lista de municípios do Ministério da Saúde. Se o brasileiro não mora em município onde a vacinação é recomendada mas vai para um, também deve se vacinar.

As informações são do coordenador de doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, Renato Alves. Leia abaixo a íntegra da entrevista que ele deu à Coluna. 

O carnaval, com deslocamento grande de pessoas para áreas de mata, preocupa o ministério em relação ao possível aumento de casos de febre amarela?
— Embora o Brasil tenha característica de muito dinamismo interno no deslocamento de pessoas, nós estamos falando de áreas em que naturalmente há deslocamentos frequentes, sem dúvida no carnaval há acréscimo dessa movimentação. No entanto todas as ações que estão sendo feitas, tanto localmente, vacinação das pessoas mais próximas da área de transmissão, quanto a orientação que está sendo reforçada, das pessoas que vão se expor a áreas silvestres, próximo de matas, que se vacinem. Há expectativa é que isso dê conta do carnaval não incrementar o número de casos. Claro que vigilâncias estão muito atentas, principalmente na época do carnaval, mas isso já é incorporado pela vigilância.

Quem mora no Sudeste, por exemplo, e está indo para áreas de mata, deve se vacinar?
Sudeste, se for especificamente para áreas de mata, cachoeira, ecoturismo, principalmente nesses casos deve se vacinar. E tem que se vacinar respeitando dez dias de antecedência dessa visita, que é o tempo necessário da vacina provocar imunidade.

Com o avanço de casos de febre amarela pelos Estados, chegando a São Paulo, podemos concluir que devem chegar aos Estados do Sul? Como será a vacinação nesses locais?
— Pessoas no Sul devem se vacinar. Os Estados do Sul  são divididos em duas áreas, a oeste com recomendação de vacina e área litorânea sem recomendação. Toda a lista está disponível no Ministério da Saúde. Quem mora em município da recomendação deve se vacinar desde sempre, não apenas em função do momento atual. Não deve ir desesperadamente procurar a vacina porque não há nenhum indicio de transmissão no Sul. Mas as pessoas que estão em áreas com recomendação devem atualizar os seus cartões, como rotina. Mas hoje não há nenhum indício de transmissão nesses Estados e há vigilância muito bem estrutura. Hoje não há indício.

E no Nordeste?
— Nordeste também tem duas regiões, uma de recomendação de vacina, Maranhão, Piauí e Oeste da Bahia, sendo que todos os outros, do Ceará até Sergipe e área da Bahia não há recomendação. Em 2016/2017 foram incluídas áreas da Bahia. Por isso na Bahia, região metropolitana e outros municípios fazem parte da campanha que se inicia. Mas não há casos humanos nessas regiões. Mas é a mesma lógica do Sul. Olhar o município e ver se há recomendação. Onde há transmissão ativa são os explicitados no boletim ou onde há casos, como Minas, Rio de Janeiro e São Paulo.

Por que houve aumento tão significativo de casos de febre amarela no Brasil nos últimos anos?
— A febre amarela acontece em regiões endêmicas, a região amazônica é endêmica e a transmissão silvestre é endêmica em algumas regiões. A característica da doença no País é cíclica. De tempos em tempos, e não se sabe todas as razões para isso, há um movimento de expansão da circulação do vírus. Que sai dessa região amazônica e se expande às vezes para o Sudeste, e já houve para o Sul. O último momento que teve expansão foi 2007, 2009 casos em MG, SP, RS. Entre 2014 até 2017 é o momento de expansão do ciclo. O que se observa agora é um novo momento de expansão do vírus.

A tendência então é que haja redução de casos a partir de agora? 
— A tendência do que se conhece é que esse ciclo se esgote ou nesse verão ou no próximo. Na série histórica esse ciclo demora de dois a três anos. Não podemos precisar quando será, mas a tendência é de redução.

Se a doença pode se espalhar, porque há vacinação apenas em algumas áreas, e não no País todo?
— A vacina para febre amarela é eficaz e segura, temos grande produção, altamente eficaz. No entanto ela não é isenta de um risco, de uma reação adversa. Que embora muito rara, quando acontece pode ser grave. Então a todo momento a gente tem que pesar esses dois riscos. Se a gente considera uma região do ponto de vista epidemiológico nada indica que tenha riscos, próxima de zero. Você introduzir a vacina nessa região você está colocando um risco na região, embora muito baixo, é um risco. Por isso qualquer expansão é sempre muito ponderada diante do risco real de transmissão e feito com cuidado.

Há dois anos, a grande preocupação era em relação a zika (e em menor escala dengue e chikungunya), o que explica a queda dos casos e meio ao aumento da febre amarela?
Embora dengue, chikungunya, zika e febre amarela sejam todas doenças transmistidas por um mosquito e causados por um vírus, são doenças bem diferentes. Enquanto dengue, chikungunya e zika têm um vetor urbano, o Aedes aegypti, a febre amarela é silvestre em região de mata, transmitida por outro mosquito. Dengue, chikungunya e zika são sazonais e acontecem mais no verão. O aumento da febre amarela não tem relação nenhuma com menor número de casos de dengue, chikungunya e zika porque ciclos são diferentes

A febre amarela no Brasil é silvestre, mas se um doente for picado pelo Aedes aegypti a doença pode virar urbana e se espalhar?
— A transmissão urbana se observou em 2014 em Angola e República Democrática do Congo, com área de mata densamente povoada e um ciclo sustentado, transmitido pelo Aedes aegypti infectado pelo ser humano. Ou seja, você precisa ter muita gente infectada pelo período que o vírus está circulando na corrente sanguínea, que na febre amarela é curto. Então você precisa ter muita gente com o vírus e uma infestação altíssima de Aedes para desencadear um ciclo sustentado. Do ponto de vista teórico existe um risco, mas do ponto de vista prático as chances são muito baixas, porque os índices de infecção e todo o trabalho nas cidades de vacinação além do que é feito nas cidades para combate ao mosquinto em função da dengue, chikungunya e zika é muito pouco provável.

Alguns especialistas dizem que o Brasil já vive uma epidemia de febre amarela, mas para o ministério não há nem surto. Por que o aumento de casos não configura surto ou epidemia?
O Brasil definitivamente não vive epidemia. Surto é aumento de casos localizados em tempo e espaço e que cabe localmente. Não dá para falar de surto acontecendo no Brasil. Epidemia não está tendo. É aumento de casos, identificado pelo Ministério como assunto que merece toda a atenção e que as autoridades locais estão trabalhando para evitar que as pessoas adoeçam. Mas do que classificação semântica é importante vacinar pessoas que estão expostas e não foram vacinadas, identificar precocemente circulação de vírus por meio de primatas e evitar que as pessoas adoeçam.
R7