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Desilusão na Arábia e medo vencido: Carille abre jogo sobre volta ao Brasil

Por Notícia na Tela
25 de janeiro de 2019 16:19 Comentários
Em maio de 2018, Fábio Carille anunciou sua saída do Corinthians para o futebol saudita; em dezembro de 2018, o clube anunciou seu retorno. A cabeça do treinador mudou nos sete meses que se passaram. Se a ida foi motivada por pressão crescente e por um susto pela ameaça de sequestro de sua mãe, a volta se deu pela estrutura precária do Al-Wehda e pelo carinho dos corintianos.

"Se tiver que comprar um juiz, compra. Se tiver que sequestrar a mãe do Carille, sequestra. É sério, não é brincadeira. É guerra."

Um vídeo com a ameaça começou a circular nas redes sociais na tarde da primeira final do Campeonato Paulista do ano passado. Quem dava a ordem era um integrante de torcida organizada do rival Palmeiras, adversário da decisão. Carille já havia dito que o episódio o deixou aflito na ocasião, agora revela que este foi um dos motivos que o levaram a deixar o Corinthians.

"Muita coisa me assustou naquele momento, uma delas foi o assunto daquele sequestro lá", relembra o treinador. "Foi momentos antes de sair para o estádio, no primeiro jogo da final. Aí veio essa notícia, com dois carros da polícia no quarteirão da minha mãe durante o jogo. Pô, a que ponto chega? Pouco se falou sobre isso, a imprensa falou pouco e deveria ter falado mais porque é algo muito sério", afirma Carille em entrevista exclusiva para o UOL Esporte.

O corintiano explica que o caso foi um dos fatores que resultaram em sua ida para a Arábia Saudita, mas o susto serviu pelo menos de aprendizado. "Hoje eu já vejo diferente, como algo para motivar [o time] e não que fosse realmente acontecer", entende.

Carille deixou o Corinthians de forma surpreendente, dois dias antes de uma partida da Copa Libertadores. "Muitas coisas me fizeram tomar aquela decisão", despista o técnico, que aceitou uma proposta do Al-Wehda, da Arábia Saudita, e partiu em busca de alívio e de um desafio diferente. Também para receber um salário melhor, mas ele argumenta que a questão financeira não foi determinante em sua saída.

"Não ganhei tanto dinheiro assim. Fiquei seis meses lá e hoje ganho menos do que ganhava lá. Se fosse por dinheiro, eu teria saído muito antes, para a China", defende-se Carille. "Fui [para a Arábia Saudita] com a ideia de ficar dois anos, e tudo estava andando para isso."

Em uma entrevista para o UOL Esporte em outubro, Carille revelou que "não dava mais" para seguir no Corinthians e mostrou seu desejo de "acabar com a imagem de que técnico brasileiro só vai para a Arábia fazer dinheiro". Era um novo projeto, pessoal e profissional; um recomeço longe de casa de olho em voos maiores, talvez pela Europa.

Alguma coisa mudou já em novembro. O técnico estava se desanimando com a falta de estrutura do futebol saudita e, mesmo sabendo de antemão que teria dificuldades, a ausência de elementos básicos o fez repensar seu futuro no país.

"Faltavam muitas coisas. Nós fomos contratados para reformular o clube, mas estava muito devagar. Não tinha suplementos, por exemplo, algo que não poderia faltar no calor que faz lá. Também ficamos quatro meses sem médico, até um ser contratado. Nutricionista, fisiologista? Tudo isso o futebol requer hoje, porque somando pode fazer uma diferença no final", explica Carille.

Na mesma época, o Corinthians patinava com Jair Ventura. O vice-campeonato da Copa do Brasil não foi suficiente para abrandar as críticas, e o risco de rebaixamento esquentou demais o assento do treinador. Carille foi procurado e logo aceitou retornar.

A volta ao Brasil se deu de forma rápida, após um encontro acidental entre Andrés Sanchez e o empresário de Carille. Os primeiros boatos tiveram reação positiva da torcida, e o treinador se animou. Ele tinha a impressão de que havia magoado os corintianos ao trocar o clube pelo futebol árabe, mas sua percepção mudou com os comentários em seu Instagram que pediam sua volta. "Me assustei com a empolgação dos torcedores", repete Carille sempre que fala do assunto. Com portas abertas no Parque São Jorge, deixou o projeto saudita para trás.
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