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Jumentos que iam para o abate na Bahia estavam com bactéria contagiosa

Por Notícia na Tela
1 de junho de 2019 15:39 Comentários
Oito jumentos foram sacrificados em Canudos,  no sertão da Bahia, e o mesmo vai acontecer com mais um animal na próxima terça (4). O motivo é de causar preocupação: os nove animais foram contaminados com mormo, uma zoonose infectocontagiosa que atinge equídeos e que pode ser transmitida ao homem. Para o animal, não há vacina, nem cura. Em humanos, pode causar pneumonia e infecções mais  graves.

O registro da doença em nove jumentos, que foram encontrados em um confinamento ilegal na zona rural de Canudos, foi confirmado pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão ligado ao governo do estado, que emitiu nota técnica no dia 27. Outros cinco animais tiveram resultados positivos para Anemia Infecciosa Equina, conhecida  como “febre do pântano”, causada por um retrovírus e transmitida por insetos sugadores de sangue.

“Já fizemos os exames de todos os outros animais e o resultado para mormo deu negativo, então não há risco de a contaminação se espalhar por conta do foco. Todos os animais estão isolados por tempo indeterminado. O local está interditado”, afirmou o diretor de Defesa Animal da Adab, Rui Leal.

Os animais seriam abatidos em frigoríficos de Amargosa e Itapetinga, no Centro-Sul da Bahia, com vistas à exportação de carne e couro para a China. Eles estavam confinados junto com outros 694 animais, numa propriedade em Canudos.

A Adab, que é responsável pela fiscalização, iniciou uma investigação sobre a origem dos jumentos doentes. Até o momento, já se sabe que eles vieram de estados como Pernambuco, Paraíba, Piauí, Maranhão e Pará. Os animais chegaram à Bahia em transporte clandestino, em viagens realizadas à noite. 

O caso foi abordado esta semana pelo deputado estadual Tiago Correia (PSDB). “É triste ver a incidência de doenças infectocontagiosas em nosso estado. A Bahia, em breve, se tornaria área livre do mormo e, com esta notificação, abre-se novamente o prazo de três anos para que possa ser pedido esse certificado. Os prejuízos são enormes. Tanto a realização de eventos quanto o comércio de cavalos ficam prejudicados”, afirmou.

A Bahia não registrava casos de mormo desde 2013, informou a Adab. No entanto, o Ministério da Agricultura, que acompanha o caso, informou que não há estados livres da doença no Brasil. Em setembro de 2015, o Departamento de Saúde Animal do órgão apresentou dados da doença no país e apontou que houve quatro casos na Bahia em 2013, sete casos em 2014 e um em 2015, até agosto.

A doença
O mormo é uma doença infectocontagiosa dos equídeos, causada pela bactéria Burkholderia mallei. Ela pode infectar outros animais, como felinos, além do homem. A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), no entanto, informou que não há histórico de mormo em humanos no estado.

Procurado, o Ministério da Saúde não comentou o assunto. O CORREIO, no entanto, acessou as condutas para vigilância epidemiológica de casos suspeitos de mormo, do próprio órgão, que apontam que os casos da zoonose em humanos são raros em todo o mundo. Apesar de ser capaz de provocar infecções generalizadas, que costumam levar à morte, a doença pode ser tratada com antibióticos.

Nos animais, não há cura e eles precisam ser sacrificados. Depois, têm o corpo incinerado. Todos os funcionários que estão cuidando dos jumentos em Canudos estão usando equipamentos de proteção individual.

“Com a confirmação, é certo que haverá prejuízo na comercialização do setor”, disse o superintendente da entidade, Samuel Andrade Pinto, que é veterinário. 

Ele informou que nos eventos que a associação realiza no Brasil tem sempre exigido que todos os animais tenham exames negativos de doenças como mormo, febre do pântano e que estejam vacinados contra o vírus Influenza. A entidade espera mais rigor da Bahia na fiscalização no trânsito de animais.

“Ter um foco dessa doença na Bahia é um fator de muita preocupação, porque ele pode se espalhar. O que esperamos é que o governo tome as medidas sanitárias com a maior responsabilidade possível”, disse.

Andrade informou que esse mês enviou 40 animais para os Estados Unidos, um macho e 39 fêmeas, “todos com os devidos documentos atestando resultado negativos para doenças”. “Não sei se eles soubessem desse foco no estado se iriam querer comprar os animais. Por mais que seja uma questão individual e que consigamos provar que nosso plantel está livre de doenças, a confirmação do foco acaba sendo um fator negativo na negociação”, comentou.
Correio
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