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Alarme de barragem em Pituaçu disparou na madrugada, 'Muita gente só saiu com a roupa do corpo'

Por Notícia na Tela
26 de julho de 2019 14:44 Comentários
O alarme foi falso, mas o pânico bem verdadeiro. "O povo todo saiu correndo, carregando o que podia. Muita gente só saiu com a roupa do corpo e com as crianças no colo. Idosos eram carregados nos braços. Todo mundo correu para o Extra (Paralela) pensando que ia morrer", declarou Islan Pereira dos Santos, 31, funcionário de um lava jato na comunidade de Bate-Facho. 

Moradores da localidade, no bairro do Imbuí, foram despertados e deixaram as casas na madrugada desta sexta-feira (26) com o barulho das sirenes do sistema de segurança da barragem de Pituaçu, construída há  cerca de 100 anos. Só depois foram informados que não havia problema nenhum e que o alarme teria sido disparado acidentalmente. Aproximadamente 1.200 famílias vivem no entorno da represa. 

Morador da comunidade há 30 anos, o pedreiro Daniel Silva, 44, tem a casa mais perto do caminho que dá acesso a pé à barragem. "Onde estou é distante da sirene que disparou, mas fui acordado por gente batendo em minha porta, dizendo que a barragem tinha acabado de romper. Na mesma hora, peguei a minha mulher e seguimos juntos com os demais para o Extra", relatou.

Segundo os moradores, os primeiros sinais de que a madrugada seria atípica começou por volta das 15h desta quinta-feira (25).  Uma das sirenes do equipamento recém instalado, que fica na via principal da localidade, começou a disparar. "Ia e voltava e era um barulho fraco. Quase meia hora depois parou. Quando foi 3h voltou a soar e mais forte e intermitente", contou o ajudante de carpintaria Flávio Soares Barbosa, 25.
Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO
O pânico levou as pessoas a invadirem a casas de outras pessoas para retirar idosos e pessoas doentes. "Devido a aflição de uma senhora que estava sozinha em casa, a vizinha quebrou a janela e teve acesso ao imóvel para levar a velhinha para o Extra, onde tudo mundo estava reunido", contou o estudante Ezequiel dos Santos Silva, 19. 

A cozinheira Lúcia Vieira, 53, disse que, apesar do pânico generalizado, teve gente que não saiu de casa. "Algumas pessoas ficaram em estado de choque e não tiveram outra reação que não fosse ficar estáticas em suas residências. Em outros casos, algumas pessoas não acordaram, pois, por algum motivo particular, não escutaram a agonia de quem estava do lado de fora e continuou a dormir. Se a barragem tivesse rompido de verdade, estariam mortos", disse Vieira.

Em nota, a Embasa informou que técnicos da empresa estão verificando o que pode ter ocorrido com os equipamentos que acionam as sirenes. O sistema de segurança da barragem de Pituaçu ainda não foi completamente implantado e está em fase de testes. Ainda de acordo com a Embasal os moradores do Bate-Facho, há cerca de um ano, vêm sendo orientados sobre a existência desse sistema e como ele vai funcionar.

O diretor geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Sosthenes Macêdo, informou que os moradores da comunidade começaram a acionar o órgão por volta das 4h da manhã. "Foi orientado que as pessoas saíssem das casas, porque quando há o acionamento de sirenes, o protocolo remete a evacuação imediata. Nosso plantonista veio aqui às 5h, acompanhou a situação e, ao conversar com a equipe da Embasa, foi informado que houve esse acionamento, que não houve problema, que as pessoas não precisavam sair das suas residências", explicou o diretor da Codesal.

Mesmo sabendo que teria sido um disparo acidental, Macêdo decidiu ir ao local com outros técnicos do órgão para acompanhar a situação. "Estamos fazendo uma inspeção visual e aparentemente não há problemas. Embora quem tem a tutela e a responsabilidade de fazer vistoria e os estudos mais profundos para afirmar a segurança dessa barragem é a Embasa", ressaltou.

Embasa diz que barragem de Pituaçu não apresenta riscos estruturais
A Embasa informou que a barragem de Pituaçu se encontra íntegra e sem riscos estruturais. Ainda de acordo com a empresa, os níveis da barragem são monitorados diariamente pelos técnicos da empresa e, no momento, não há risco de enchente. A barragem conta com um sistema de segurança com quatro sirenes em fase de implantação há três meses.

"A barragem está em perfeito estado. Fizemos nela uma obra ampla há dois anos. O equipamento instalado é para detectar uma emergência. No entanto, ele não está em funcionamento, o que  nos leva a crer na falha no próprio equipamento", explicou o gerente da unidade socioambiental da Embasa, Thiago Horoshi. 

Após o episódio, um treinamento será dado aos moradores. "A intenção é dar a eles mais conhecimento de como agir numa situação real. Em relação à medida adotada neste madrugada, de saírem de suas casas, foi correta. Nesse treinamento iremos focar nas rotas de fuga", declarou Sosthenes Macêdo.
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