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Ameaça de ataque a escola em Luís Anselmo leva pânico a alunos e professores

Por Notícia na Tela
13 de agosto de 2019 19:02 Comentários
A ameaça em um perfil é clara: “Terá um belo massacre”. O pânico também: “Estamos apavorados”, disse a mãe de um aluno. As postagens de uma conta no Instagram, inclusive a imagem de uma mão segurando uma pistola, vem aterrorizando alunos, professores e outros funcionários da Escola Municipal Santa Rita, no bairro de Luís Anselmo, em Salvador. O autor fez três postagens e em uma delas diz que chegará de surpresa. 

A Secretaria Municipal da Educação (Smed) informou ao CORREIO, por meio de nota, que “tomou as medidas necessárias, buscando junto aos órgãos competentes orientações e intervenções em prol da manutenção da ordem no entorno da Escola. Além disso, serão empreendidos esforços no sentido de apoiar e garantir o pleno funcionamento da unidade escolar”. Disse ainda que guardas municipais já foram enviados para a instituição de ensino.  
Colégios brasileiros foram cenário de ao menos sete atentados com armas de fogo cometidos por alunos e ex-alunos nos últimos anos.  (Veja abaixo)

Segundo pais de alunos, as ameaças começaram nesta segunda-feira (12). “Meu filho chegou em casa dizendo que não vai mais à escola, que todos irão morrer. Ele me mostrou a mensagem e fiquei também apavorada. As mensagens de alguma forma chegaram no grupo de WhatsApp deles”, disse a mãe de um dos alunos ao CORREIO, que preferiu não revelar o nome. 

As ameaças também chegaram no grupo do app dos professores e funcionários da direção da escola. “Meu filho disse que foi desta forma que a diretora ficou sabendo, que ela na mesma hora comunicou o fato à Polícia Militar. Mas até agora não temos uma definição se amanhã haverá aula”, disse a mãe.

Segundo ela, o autor da ameaça, até então, não é uma pessoa conhecida entre os alunos e professores. “Ninguém sabe quem é e nem o motivo. O que se sabe é que, na semana passada, houve uma briga entre duas alunas, mas foi algo resolvido lá mesmo”, contou a mãe.  

Nesta terça-feira (13), não houve aula por conta de uma paralisação nacional em favor da educação pública. “Mas ninguém quer ir lá amanhã (14), com medo de morrer. Inclusive amanhã está marcada a inauguração de uma quadra de esporte e está prevista a presença de pessoas ligadas à Secretaria da Educação. Mas com uma situação dessa? Pais, alunos, professores e funcionários estão com medo. Quem vai?”, disse a mulher. 

Perfil
Na manhã desta terça-feira, o CORREIO entrou no perfil do autor das ameaças. Das quatro postagens que circulam nas redes sociais, apenas uma delas ainda permanece no feed (página em que os usuários têm acesso às atualizações e postagens).

Na publicação, de fundo amarelo, o autor, que estaria usando um perfil falso, cumprimenta os alunos e fala de ameaças anteriores: “como vocês sabem, venho ameaçando vários alunos (as) por causa da amiguinha querida de vocês. E isso vem causando uma imensa proporção de notícias falsas, que é o tipo de coisa que eu não gosto. Então, eu mesmo resolvi me pronunciar. [...] sabe a bela pistola que tenho em mãos, caso duvidem, é só pedir para ele mostrar as conversas. Continuando ... Vou ser logo direto”, diz a mensagem.

Logo abaixo, o autor diz o dia (14) e local do ataque (a escola) e dá detalhes de como possivelmente agirá: “Chegarei de surpresa”. Nos comentários, ele emenda o recado: “Terá um belo de um massacre, caso não queira conhecer seus entes falecidos, é só não ir. Adeus”.

Outras imagens
Apesar de o autor ter apagado as outras publicações, capturas de telas feitas pelos alunos chegaram ao CORREIO. Uma delas é a imagem de uma mão segurando uma pistola prata. Acima da foto tem o nome da escola. Numa outra publicação, o autor marca um perfil em agradecimento pelo texto, dando a entender que as mensagens foram elaboradas em conjunto.

Reforço
Em nota, a Polícia Militar informou que “Operação Ronda Escolar da Polícia Militar foi acionada pela direção da Escola Municipal Santa Rita, localizada no bairro Vila Laura, com informação de supostas ameaças à unidade escolar e alguns alunos, na tarde de segunda-feira (12)".

A Corporação informa ainda que uma equipe foi imediatamente para o local, "onde conversou com a direção e levantou informações".

"Ainda não é de conhecimento a autoria das ameaças, mas assim como o comandante da Ronda, o comando da 58ª CIPM (Cosme de Farias), unidade responsável pela área, estão cientes da situação e já intensificaram as ações de prevenção. O reforço será mantido até quando houver necessidade”, diz nota. 

O CORREIO procurou a Polícia Civil. Através da assessoria de comunicação, a PC disse, também por meio de nota, que “a 6ª Delegacia (Brotas) já tomou conhecimento do caso e iniciou a apuração. A diretora da instituição de ensino está sendo ouvida na unidade. A autenticidade dos perfis e identificação do autor (es) ocorrerá no decorrer da investigação, que está em fase preliminar”.

Ataques
Dois jovens encapuzados abriram fogo no dia 13 de março deste ano em uma escola estadual em Suzano, na Grande São Paulo, e mataram ao menos oito pessoas, a maioria estudantes. A motivação do ataque ainda não foi esclarecida. Autoridades afirmam que eles eram ex-alunos do colégio.

Em setembro do ano passado, um adolescente de 15 anos abriu fogo contra colegas de classe no Colégio Estadual João Manoel Mondrone, na cidade de Medianeira, no oeste do Paraná. Não houve mortos, mas dois estudantes, de 15 e 18 anos, ficaram feridos. O atirador, que foi acobertado por outro colega também de 15 anos, disse à polícia que sofria bullying na escola. O ataque teria sido planejado por dois meses. 

O Colégio Goyases, escola particular de ensino infantil e fundamental, na capital de Goiás, foi palco de um ataque em outubro de 2017. Um aluno de 14 anos atirou contra colegas dentro de uma sala de aula, matando dois meninos de 12 e 13 anos e ferindo outros quatro, antes de ser impedido por alunos e professores quando tentava recarregar a arma. O atirador é filho de policiais militares e usou uma pistola da mãe para cometer o ataque. Ele alegou que o crime foi motivado por ser vítima de bullying de colegas.

Um adolescente de 16 anos feriu a tiros três alunas dentro da Escola Estadual Enéas Carvalho, em Santa Rita, na região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba, em abril de 2012. Foram efetuados seis disparos com um revólver calibre 38. Em depoimento à polícia, o atirador disse que seu objetivo era acertar um outro estudante de 15 anos com o qual havia discutido duas vezes, mas acabou atingindo as alunas, de 17 anos, que estavam próximas ao garoto. Elas tiveram alta nos dias seguintes ao crime. 

Em setembro de 2011, um aluno de 10 anos atirou em uma professora e depois se matou na Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. A docente de 38 anos sobreviveu aos disparos. Cerca de 25 alunos estavam na sala de aula no momento do crime. Após atingir a professora, ele deixou a classe e disparou contra a própria cabeça, morrendo mais tarde no hospital. O menino era filho de um guarda civil municipal e usou um revólver calibre 38 que pertencia ao pai.

Em abril de 2011, um rapaz de 25 anos abriu fogo contra alunos em salas de aula lotadas na Escola Municipal Tasso de Silveira, no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, em um dos massacres mais sangrentos em instituições de ensino do Brasil. Ao todo, 12 estudantes morreram e 13 ficaram feridos, todos com idades entre 12 e 14 anos. O autor do ataque, Wellington Menezes de Oliveira, foi atingido por um policial e cometeu suicídio. Ele usou dois revólveres, que recarregou várias vezes, e tinha muita munição. O atirador era ex-aluno da escola e, em anotações encontradas em sua casa, havia escrito que o massacre foi motivado por humilhações que enfrentou enquanto estudava.

A Escola Estadual Coronel Benedito Ortiz, na cidade de Taiúva, no interior de São Paulo, foi alvo de um ataque a tiros em janeiro de 2003, também cometido por um ex-aluno. Edmar Aparecido Freitas, de 18 anos, abriu fogo contra alunos e funcionários e se matou em seguida. Ele usava um revólver calibre 38, com o qual fez 15 disparos. As investigações apontaram que o crime foi motivado por bullying. Além do atirador, ninguém mais morreu, mas oito pessoas ficaram feridas, sendo cinco alunos, o caseiro, a zeladora e uma professora da escola. Atingido por um tiro na coluna, um dos estudantes ficou paraplégico. 

Um aluno de 17 anos matou a tiros duas colegas, ambas de 15 anos, dentro da sala de aula do colégio Sigma, uma escola particular em Salvador. O crime ocorreu em outubro de 2002. Ele foi preso em flagrante ainda dentro da escola. Filho de um perito, o atirador usava um revólver calibre 38 que pertencia ao pai, segundo apontaram as investigações na época. Colegas relataram que o garoto havia prometido vingança às duas vítimas, após desentendimentos durante uma gincana.
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