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Pe. José Raimundo foi nomeado para o Sínodo da Amazônia

Por Notícia na Tela
23 de setembro de 2019 07:07 Comentários
 Reprodução - Canção Nova
“Fazei de nós um só corpo e só espírito”(Oração Eucarística III), deste modo a Igreja espalhada em todo mundo ora durante a Oração Eucarística, pedindo o dom do Espírito Santo, ela invoca o espírito Santo não somente para que o Pão e o Vinho, frutos da terra e do trabalho humano se transformem nos dons eucarísticos, mas para que os comungantes se tornem “um só corpo e um só espirito”, uma Eucaristia vivente.

Na celebração da Eucaristia, a natureza e a humanidade estão implicadas: celebra-se com o pão e o vinho misturando com água, na preparação das oferendas, a Igreja bendiz o Senhor Deus do Universo por estes dons da terra e do trabalho humano. Para concluir o Prefácio canta-se que Deus é Santo, Santo, Santo e que o céu e terra estão cheios de sua glória. A Didaché, Doutrina dos Doze Apóstolos, espécie de catecismo dos primeiros cristãos, composto em torno do ano 100, proclama esta oração a cerca do pão eucarístico: “Como este pão repartido estava espalhado pelas colinas e colhido tornou- se uma só coisa, assim a tua Igreja desde os confins da terra seja reunida no teu Reino” (IX, 4).

Vê-se como per ritus et preces – pelos ritos e orações- (Sacrossanto concilio 48), a Igreja na Eucaristia por seus sinais e pela Eucologia (orações) se encontra com a Ecologia. A Natureza e a relação do ser humano com ela através do trabalho ou da sua contemplação, enquanto Criação de Deus, oferecem matéria que inspira a oração do Povo de Deus.

A súplica pelo dom da unidade da Igreja, Corpo de Cristo nos convida a pensar em um evento eclesial de grande importância para Igreja e para o mundo, O chamado Sínodo Pan-amazônico, trata-se de uma Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos para refletir sobre a região pan-amazônica que envolve Bolívia, Brasil, Equador, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana francesa, Guiana e Suriname, pode-se parafrasear a mulher eucarística que é Mamma Lucia e dizer: Com a Amazônia inteira no coração. O Sínodo é um modo de viver a comunhão episcopal, segundo o Concílio Vaticano II, ele “agindo em nome de todo o Episcopado católico, mostra, ao mesmo tempo, que todos os Bispos em comunhão hierárquica participam da solicitude por toda a Igreja” (Christus Dominus 5).

O Sínodo especial para a região amazônica mais uma vez recordará a toda igreja que “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história” (Gaudium et spes 1).

Por meio deste Sínodo, a Igreja expressa sua proximidade a estes homens e mulheres da Panamazônia, consciente da mensagem da salvação que tem para comunicar a todos, refletirá sobre o tema Amazzonia: nuovi cammini per la Chiesa e per una ecologia integrale, na busca de uma conversão pastoral no espírito da exortação pastoral a Alegria do Evangelho, contemplando a Amazônia enquanto fonte de vida, da revelação de Deus e oportunidade de inculturação do Evangelho e de diálogo intercultural como desfio à chamada missionária.

Pensando nos desafios da ecologia integral, inspirado pela proposta da ‘Laudato si’ de Papa Francisco, o Sínodo refletirá sobre o dom da criação e sobre as ameaças que pairam sobre os Povos indígenas e demais habitantes da região amazônica: isolamento voluntário, migração, urbanização, mudanças sociais, corrupção. A Igreja é interpelada a viver sua missão profética de anúncio, denúncia e renúncia para ser sinal e encarnação do Reino, a partir de um contexto cultural específico.

Nós que na celebração da Eucaristia pedimos a graça de sermos um só Corpo e um só espírito, queremos viver na comunhão este Sínodo, fazendo nossos os sentimentos, preocupações destes pastores, unindo-nos aos seus desafios que se tornam nossos, escutando o que Santo Agostinho ensinava: “Se queres, pois, entender o Corpo de Cristo, ouve o que diz o Apóstolo aos fieis: ‘Ora, vós sois o Corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros’ (1 Cor 12, 27). Se vós, portanto, sois o Corpo de Cristo e membros seus, o vosso mistério está posto na mesa do Senhor: é o vosso mistério o que recebeis. Respondeis ‘Amém’ ao que sois e, respondendo, o confirmais. Escutas, pois, ‘O Corpo de Cristo’ e respondes ‘Amém’. Sê membro do Corpo de Cristo,

Para que o teu ‘Amém’ seja verdadeiro”. (Santo Agostinho, Sermão 272: PL 38, 1247). Que ao fim de tudo tenhamos a Amazônia no coração.

O Pe. José Raimundo é Padre da Diocese de Amargosa, Mestre em Teologia e Ciências Patrísticas pelo Pontifíco Instituto Patrístico Agostiniano e doutorando no mesmo Instituto. O padre a ser procurado por nossa reportagem para comentar sua nomeação nos falou: “É um serviço singelo que ofereceremos à universalidade da Igreja por meio da assistência ao Sínodo dos Bispos, instrumento de comunhão do Episcopado em torno do Papa. Certamente uma experiência impar poder testemunhar de perto este acontecimento singular para Igreja latino-americana, uma hora de grande graça” – analisou o padre sinodal.

O padre nos ofereceu um artigo de sua autoria para a compreensão do Sínodo da Amazônia.
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