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"Já consigo ver mulheres ocupando os espaços", diz Manuela Avena sobre o mercado esportivo

Por Notícia na Tela
12 de março de 2020 10:49 Comentários
Se dedicar aos estudos, ganhar espaço no mercado de trabalho e consolidar uma carreira. Objetivos simples traçados pela maioria das pessoas. Porém, estes processos na vida de uma mulher consistem em mais do que uma simples meta alcançada e trazem os percalços de uma sociedade ainda machista e retrógrada. Assim não é diferente no mercado esportivo. Sejam atletas ou profissionais da área, elas ainda enfrentam as dificuldades de alcançar um lugar de destaque entre tantos homens que parecem tentar minar as chances destas mulheres.

Como tantas outras personalidades femininas, quem rema contra a força preconceituosa é a baiana, jornalista esportiva e narradora Manuela Avena, que no último sábado, 7, se tornou a primeira mulher a narrar uma partida da Copa do Nordeste. A partida que entrou para a história foi entre Bahia e Confiança, mas a repercussão da narração de Manuela foi além das quatro linhas.

"O retorno realmente foi muito bacana. As pessoas gostaram da narração, algumas citaram pontos muito legais para se melhorar, mas o resultado foi bem positivo. Ontem tive o retorno da audiência, que também foi muito bom, então eu só posso agradecer porque foi tudo muito positivo", comemorou Manuela.

Segundo os dados do Ibope, em Salvador, Bahia e Confiança, a audiência do Nordestão marcou ótimos resultados. A TV Aratu (SBT) foi líder de Ibope com 11 pontos de média com picos de 14. O retorno positivo do público serviu para mostrar que, apesar de ainda sofrer com a resistência de alguns profissionais e parte do público, é preciso saber que há mulheres no mercado quebrando tabus e mostrando suas capacidades, é o que destaca Manuela.

"Elas precisam saber que existem mulheres narrando, porque isso encoraja. Quando você é pequena, você sonha em ser alguma coisa quando crescer, mas se não tiver referências infelizmente isso nem passa pela sua cabeça, era o que acontecia comigo. Não sonhava em ser narradora. Primeiro, que eu nem achava que era possível ser narradora e também não tinham mulheres para me espelhar. Fico feliz de ser referência e hoje recebo muita mensagem legal, muitas meninas que dizem: 'Que massa. Você abriu caminho para o meu sonho e vou lutar muito pra realizar'".

Mercado de trabalho

Segundo dados da Abraji e a Gênero e Número, em uma pesquisa realizada com 477 jornalistas mulheres, 65,7% delas afirmaram que já tiveram sua competência questionada por colegas ou superiores. 83,6% já sofreram violência psicológica nas redações, e 70,2% já presenciaram ou tomaram conhecimento de uma colega que foi assediada no ambiente de trabalho.

A jornalista, com currículo de narração na Copa do Mundo da Rússia em 2018, pelo canal Fox Sports, enxerga o cenário atual para as mulheres no mercado com mais positivismo, e compara a tempos atrás quando se brincava que havia a 'cota mulher'.

"Antigamente não tinha espaço. Começaram a aparecer uma ou duas e a gente brincava que era a questão da cota da mulher dentro do esporte. Hoje em dia eu já vejo que isso está melhorando bastante. Já consigo ver mulheres ocupando os espaços. Ainda é um mercado que precisa evoluir, e isso passa pela oportunidade para que a gente continue formando mulheres competentes que ocupem espaços do mercado por conta disso e do mérito", destacou.

Em termos de sonho, eu espero que as mulheres consigam abrir mais o mercado e não sejam cotas (Manuela Avena)

"Acreditando em um futuro melhor para as mulheres na profissão, Manuela diz que o trabalho é gradativo e demorado, mas confia nessa evolução. "Em termos de sonho, eu espero que as mulheres consigam abrir mais o mercado e não sejam cotas. Espero que as pessoas entendam isso. Eu fico feliz por ouvir de muita gente que assistiu a narração dizendo que não gostava e nunca teve a experiência da voz feminina, mas que assistiu e gostou. Esse é o melhor retorno, sabendo das dificuldades de aceitar uma voz feminina. Precisamos demonstrar nosso trabalho, bem feito, em um trabalho de formiguinha, mas acho que a gente vai chegar lá um dia e vamos evoluir, sim".
A Tarde
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