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O presidente culpou as medidas de isolamento pela crise financeira dos estados e declarou que não existem hospitais cheios de infectados pelo coronavírus

Por Notícia na Tela
3 de abril de 2020 07:39 Comentários
O presidente Jair Bolsonaro criticou, nesta quinta-feira (02), o pedido de auxílio financeiro feito por governadores das regiões Sul e Sudeste. Bolsonaro culpou as medidas de isolamento social, decretados pelos governantes para conter o avanço do novo coronavírus, pela crise nos estados.

"A gente tem que convencer os governadores a não continuar sendo radicais. Eles acabaram com o comércio, o Dória acabou com o comércio na estrada. Ele não pediu para mim, ele não conversou comigo para fazer aquela loucura. Acabou o ICMS, vai ter dificuldade para pagar a folha, agora, com toda certeza, nos próximos um ou dois meses, e quer vir agora para cima de mim? Não. Tem que se responsabilizar pelo que ele fez", disse o presidente a um grupo de pastores, que foram à porta do Palácio da Alvorada para pedir uma linha de crédito para igrejas.

Ainda para o grupo de apoiadores, Bolsonaro voltou a defender o encontro que teve com comerciantes e ambulantes, no último domingo (29) no Distrito Federal. "Fui em Ceilândia e Taguatinga e fui massacrado pela mídia. Agora, eu duvido que um cara desses, um governador desses, um Doria da vida, Witzel, Moisés, vai no meio do povo, vai nada! A justificativa é que não vou porque posso pegar... ah, está com medinho de pegar vírus, é?", ironizou.

Mais cedo, sete governadores do Sul e do Sudeste do país elaboraram uma carta ao presidente pedindo uma série de medidas urgentes para evitar o que chamaram de "colapso econômico dos estados". O documento foi divulgado pelo governador de São Paulo, João Doria. "Estes sete estados representam 71% da economia brasileira. Têm mais de 70% de toda a população brasileira. São os que mais estão sofrendo com a Covid-19", argumentou Doria.

Dentre iniciativas defendidas pelos líderes estaduais estão a suspensão imediata do pagamento da dívida dos estados com a União, por doze meses; que o Governo Federal assuma os pagamentos de empréstimos internacionais feitos pelos estados enquanto durar a "calamidade financeira", e que esses valores sejam incluídos na dívida com a União; e a aprovação de Emenda Constitucional para prorrogação do prazo de pagamento de precatórios, isto é, as dívidas judiciais dos estados.
Jair Bolsonaro também negou que existam hospitais lotados de infectados pelo novo coronavírus no país. "A justificativa é atrasar a infecção para que os hospitais possam atender, eu desconheço um hospital que esteja lotado. Muito pelo contrário". 

Outras pessoas também abordaram o presidente para pedir o fim das medidas de isolamento social. Mesmo concordando com a posição dos apoiadores, o Bolsonaro - e toda equipe do Palácio do Planalto - foi impedido de fazer campanha contra a quarentena, segundo determinação do Supremo Tribunal Federal. O presidente também tem até o fim desta semana para responder, ao STF, o que o Governo Federal está fazendo para combater a Covid-19.
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