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MPF pede que Youtube retire do ar vídeo em que pastor Valdemiro Santiago oferece feijão para cura do coronavírus em SP

Por Notícia na Tela
12 de maio de 2020 22:18 Comentários
Foto: Reprodução/Youtube
O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo enviou nesta segunda-feira (11) um ofício ao presidente da empresa Google no Brasil, responsável pela plataforma de vídeos YouTube, solicitando a retirada do ar de vídeos em que o pastor neopentecostal Valdemiro Santiago de Oliveira, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), aparece oferendo sementes de feijão com supostos poderes de cura do coronavírus.

O MPF deu cinco dias para que o Google responda o ofício, que foi protocolado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC). No documento, os procuradores de SP também pedem que a empresa mantenha o material "preservado e acautelado em arquivos e na íntegra", bem como o registro do quantitativo de acessos a eles, para "eventuais e futuras providências de responsabilização processuais".

O ofício é mais uma ação do MPF na notícia crime enviada na sexta-feira (8) ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pedindo investigação do pastor Valdemiro Santiago por suposta prática de estelionato.

O procurador federal Wellington Cabral Saraiva, da Procuradoria Regional da República da 5ª Região, no Recife (PE), afirma que o líder Igreja Mundial “usa de influência religiosa e da mística da religião para obter vantagem pessoal (ou em benefício da igreja), induzindo vítimas em erro, pois não há evidência conhecida de cura da Covid-19 por meio de alguma divindade nem por ingestão ou plantação de feijões mágicos”.

“O noticiado não fala explicitamente em pagamento, pois emprega a palavra-código “propósito”. As vítimas não fariam pagamentos, mas “propósitos”. A despeito do disfarce linguístico, o ardil está claro: os fiéis devem pagar valores predeterminados para obter feijões mágicos que os poderão curar da Covid-19, mesmo em casos graves”, afirma Wellington Cabral Saraiva.

No vídeo, o pastor Valdemiro Santiago fala da planta e pede o "propósito de R$ 100 a R$ 1 mil" por ela.

"Na última reunião de bispos e pastores, apresentando com exame, com laudo médico, gente curada de coronavírus. Em estado terminal, podemos dizer assim. Gravíssimo, num estado muito avançado. E Deus operou e fez maravilha. E tá ali o exame, para quem quiser. Seria bom uma reportagem na Globo, na Bandeirantes, na Record, no SBT, na Redetv, para mostrar ao povo o poder de Deus. Aí você vê como é importante a semente, a semeadura. Então o povo obedeceu a José e semeou na terra. E a terra deu o retorno. Toda família se fartou e conseguiu venceu a crise, a epidemia", diz o pastor.

"A notícia-crime foi enviada ao MP-SP porque o crime a ser investigado é de competência da Justiça Estadual, e o MPF atua perante a Justiça Federal", justificou os procuradores federais.

'Deboche da boa-fé'
Na notícia crime enviada aos promotores de São Paulo, o procurador do MPF também afirma que o pastor Valdemiro Santiago “praticamente debocha da boa-fé de seus seguidores, informando que as sementes germinarão e na planta estará escrito ‘Sê tu uma bênção’”– que é o slogan místico-publicitário da organização religiosa comandada por ele.

“Não se pode, a título de liberdade religiosa, permitir que indivíduos inescrupulosos ludibriem vítimas vulneráveis e firam a fé pública. Não se trata de coibir as pessoas em geral de professar a fé que desejarem e de cultuar as divindades de sua preferência, na forma de sua escolha. Trata-se de impedir que determinados indivíduos se valham desse conjunto de crenças para obter vantagem econômica ilegítima, valendo-se da crendice alheia, mediante sofisticados esquemas publicitários, psicológicos e tecnológicos”, argumenta o procurador.

Wellington Cabral Saraiva afirma que, ao pedir a investigação do pastor Valdemiro Santiago em São Paulo, o MPF não tem intenção de interferir na fé religiosa das pessoas que frequentam a igreja Igreja Mundial do Poder de Deus.

“Não se pretende, obviamente, que o estado interfira na liberdade religiosa (assegurada pelo art. 5o , VI, da Constituição da República) e determine como líderes religiosos se relacionam com os seus fiéis nem como estes devem exercer sua autonomia de crença.(...) A liberdade religiosa, porém, não é direito absoluto (como não o é nenhum dos direitos fundamentais da Constituição). Pode e deve ser alvo de escrutínio estatal quando fira outros preceitos da ordem jurídica”, explica.
Foto: Reprodução
Outro lado
Por meio de nota, a Igreja Mundial do Poder de Deus disse neste sábado (9) que "a campanha do mês de maio 'sê tu uma benção', representado pela semente do feijão, não se refere a venda de uma 'promessa de cura', mas sim o início de um propósito com Deus".

Segundo a instituição, "a semente é uma figura de linguagem, amplamente mencionada nos textos bíblicos, para materializar o propósito com Deus" e que não há nenhum oferta de venda de cura por parte do pastor Valdemiro Santiago.

"Nos vídeos não há menção de nenhuma venda, o que rechaçamos veemente, haja vista que trata-se de uma sugestão de oferta espontânea, não tendo nenhuma correlação com venda de quaisquer espécies", diz a nota da igreja.

A Igreja Mundial do Poder de Deus afirma, ainda, que "a instituição, ao longo de todos esses anos, tem o único e exclusivo propósito de propagação da fé Cristã, onde todas as nossas atitudes se baseiam nos princípios bíblicos, na ética e na legalidade".
G1
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