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Parcelas em quarentena: pedidos de renegociação crescem 60% na Bahia

Por Notícia na Tela
15 de junho de 2020 15:45 Comentários
Cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, consignado e financiamento de carros e imóveis. É muita dívida para pouco dinheiro. Segundo um levantamento feito com exclusividade para o CORREIO, pela plataforma de recuperação de crédito QuiteJá, na Bahia, o crescimento de demanda de negociação de dívidas cresceu 60% nos meses de abril e maio, quase o dobro da média nacional durante a pandemia, que ficou em 35% .

“As ofertas que aparecem agora, tanto dos bancos, quanto dos varejistas, basicamente é, postergar a sua dívida para dois ou três meses para frente, dependendo do credor, a possibilidade de liquidação antecipada com desconto mais agressivo ou parcelamento sem juros. A visão que temos é como se fosse uma espécie de 'Black Friday' para negociação”, afirma o diretor-executivo da QuiteJá, Luiz Henrique Garcia.

O caminho é não esperar o boleto vencer ou que o credor chegue para cobrar. “Tem que se aproximar do seu credor de banco, seu gerente de relacionamento, onde a pessoa pode consultar suas dívidas, fazer a sua oferta ou aceitar as que são disponibilizadas no sistema. É explicar a sua atual realidade financeira, qual a sua capacidade de desembolso, e aí sim, encaixar tanto o interesse do credor em recuperar, quanto a sua capacidade para fechar contrato”, aconselha Garcia.

Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o setor renegociou no período de 1 de março a 22 de maio, 9,7 milhões de contratos com a oferta de acordos de carência entre 60 a 180 dias para pagar as prestações. O CORREIO buscou junto a entidade, o número de pedidos de renegociações na Bahia para entender o tamanho destas dívidas, porém, ela não dispõe destes dados regionais. A reportagem tentou ainda apurar estas informações diretamente junto ao Banco do Brasil, Caixa, Santander, Itaú e Bradesco, que também não disponibilizaram estes dados.

O microempresário Vinícius Nóbrega é um dos clientes que precisaram renegociar o financiamento que tinha contratado para expandir o seu pequeno negócio, uma agência de viagens. No entanto, o impacto da pandemia comprometeu as atividades e ele teve que, inclusive, devolver o dinheiro de pacotes que haviam sido pagos. “Tivemos que remarcar viagens, fazer reembolsos e isso descontrolou todo o financeiro da empresa, além disso, seguimos na incerteza de quando vamos poder voltar às atividades, o que interfere bastante nas nossas finanças”.

Depois tentar a negociação pelo site e não conseguir, Vinícius teve que ir quatro vezes até a Agência da Caixa e enfrentar as grandes filas que se formaram no banco, por conta do pagamento do auxílio emergencial. O esforço valeu uma carência de nove meses e também a redução do valor das parcelas do financiamento de R$ 13,5 mil. “No primeiro dia cheguei na fila 5h da manhã. Só fui conseguir o atendimento no quarto dia. Quando retornar o pagamento, as parcelas ficaram menores. Isso vai a aliviar muito nesse momento para que a gente possa se reorganizar”, completa.

Na base da insistência
Para ajudar na negociação, o economista e professor da UniRuy, Raimundo Sousa Filho, o fator principal a ser analisado deve ser a taxa de juros, pois isso vai impactar diretamente no custo final do contrato e no valor das prestações. “Mas também deve ser considerado o prazo, bem como a carência, para início do pagamento”, diz.

Esse é justamente o ponto que impediu a professora Maíse Balbino de fazer a renegociação de um empréstimo que tem com o banco. “Isso tem me trazido muitos transtornos. Eles não baixam a taxa de juros e se mantêm firmes no número de parcelas e no valor, que hoje, por conta da pandemia, está fora do meu orçamento”.

O conselho para Maíse é seguir tentando um acordo, como analisa o economista: “É muito importante que haja transparência de ambas partes. Assim, o cliente deve procurar o gerente responsável pela operação financeira e contextualizar a sua situação, informando a sua real necessidade de renegociar a dívida existente e as suas condições atuais, para poder assumir um novo contrato”.

Não vá além do que pode pagar. “O objetivo é conseguir condições mais favoráveis de pagamento, tendo em vista que, com a redução da taxa básica de juros da economia (Selic), para o seu menor patamar histórico, as taxas de mercado também, consequentemente, se reduzem. Insista por melhores condições”, recomenda Filho.

PARA RENEGOCIAR

Carro O primeiro passo é verificar se o contrato de financiamento prevê alguma possibilidade de renegociação e, caso sim, buscar um desconto sobre os juros das parcelas a vencer. “Se essa renegociação não for possível, existe a opção da portabilidade de contrato, quando o cliente deve fazer uma pesquisa de mercado e identificar uma instituição financeira que ofereça melhores taxas para a transferência da dívida”, pontua o economista e professor da UniRuy, Raimundo Sousa Filho.

Consórcio Nesse caso é necessário procurar a administradora e propor uma negociação da dívida ou troca por um bem de menor valor e, assim, reduzir proporcionalmente o custo das prestações. “Como última opção, há a possibilidade de transferência do consórcio para outra pessoa”.

Imóvel Existem várias possibilidades de renegociação de financiamento imobiliário, a começar pela mudança de data para o pagamento das prestações e a alteração do prazo de financiamento. Também pode ser feita a renegociação de prestações já vencidas junto à instituição credora, desde que o contrato vigente não seja para o prazo máximo permitido, assim como a portabilidade do contrato para outra instituição financeira, com melhores condições.

Financiamento estudantil Para os contratos que estavam em dia, quando foi declarado o estado de calamidade pública por conta da pandemia, o MEC suspendeu o pagamento das parcelas do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), com adesão válida até 31 dezembro deste ano. “O estudante deve procurar a instituição financeira responsável pelo contrato (Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil) e, então, poderá obter a suspensão de duas parcelas para os contratos em fase de utilização ou carência, ou de quatro parcelas para os contratos em fase de amortização. As parcelas suspensas são incorporadas ao saldo devedor”, orienta o economista.
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