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Preso em operação que afastou Witzel estaria por trás de uma Organização Social com sede no município de Mutuípe, no Vale do Jiquiriçá

Por Notícia na Tela
31 de agosto de 2020 10:35 Comentários
Preso na sexta-feira (28) em operação paralela à que culminou com o afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ex-prefeito de Volta Redonda, no interior do RJ, Gothardo Lopes Netto, estaria por trás como “sócio oculto” da Associação de Proteção à Maternidade e a Infância de Mutuípe (Apmim), organização social vinda do Vale do Jiquiriçá, no interior da Bahia. De acordo com o jornal O Globo, a informação foi dita em delação premiada do ex-secretário de Saúde do estado, Edmar Santos.

“A organização criminosa direcionou, mediante promessa e/ou pagamento de propina, contratos de gestão de dois hospitais para Organizações Sociais da Saúde (OSSs): o Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda/RJ, e o Hospital Dona Lindu, em Paraíba do Sul/RJ”, afirma a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

A Apmim opera o Hospital Regional Zilda Arns, em Volta Redonda. O governo do Rio lançou neste ano um edital, com dispensa de licitação, para que os leitos da unidade hospitalar fossem expandidos. O intuito era tornar o hospital referência no tratamento a pessoas infectadas pela Covid-19.

A associação, que seria liderada por Gothardo, foi selecionada pelo valor de R$ 58 milhões, num contrato de seis meses – este vínculo é questionado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

De acordo com o jornal Extra, em matéria veiculada em abril, a Corte de Contas fluminense decidiu suspender contratos firmados entre a Secretária de Estado de Saúde do RJ e Organizações Sociais que fariam a operação dos hospitais Anchieta e Zilda Arns.

Segundo o TCE, foram encontrados “fortes indícios da existência de irregularidade”, no processo de seleção das OSs. Por conta disto, após três meses sem receber os repasses, em junho a Apmim decidiu parar de receber na unidade hospitalar pacientes infectados com o novo coronavírus.

ENVOLVIMENTO DE WITZEL
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o governador do Rio tem “participação ativa no conhecimento e comando das contratações com as empresas investigadas”. A acusação leva em consideração pagamentos feitos pela empresa de Gothardo ao escritório da primeira-dama Helena Witzel.

As investigações apontam que , o Hospital Hinja, que é de propriedade de Gothardo, teria feito depósitos de mais de R$ 550 mil nas contas do escritório de advocacia da esposa de Witzel no período de agosto de 2019 e maio de 2020. A PGR crê que os recursos tem relação com crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. Após ser detido, o ex-prefeito de Volta Redonda passou mal e precisou ser hospitalizado justamente na unidade hospitalar da qual ele é proprietário, e onde ele segue internado.

A defesa de Gothardo disse, em nota, desconher as razões e fundamentos legais que motivaram a decisão da decretação da medida prisional e que não possui meios para apresentar maiores esclarecimentos no momento. Além de Gothardo, foram presos o Pastor Everaldo, presidente do PSC – partido de Wiztel e o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico. Lucas Tristão.

Também houve mandado de busca e apreensão contra Helena Witzel, o vice-governador, Cláudio Castro, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT) e o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) Marcos Pinto da Cruz. A PGR chegou a pedir também a prisão de Wilson Witzel. No entanto, o ministro Benedito Gonçalves, do STJ, negou.

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