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Perícia nos celulares do miliciano Adriano da Nóbrega revela planos de fuga, fuzis e ameaças

Por Notícia na Tela
23 de março de 2021 20:48 Comentários
O jornal O Globo revelou nesta terça-feira parte da perícia que foi feita nos nove celulares que foram encontrados com o ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, miliciano que comandava o Escritório do Crime, uma espécie de agência de assassinos de aluguel, que também atuava em diversos ramos, como lavagem de dinheiro, mercado imobiliário e venda de armas.

Os dados dos aparelhos vêm à tona mais de um ano após a morte do ex-caveira numa operação num sítio na cidade baiana de Esplanada. Nos celulares, o MP encontrou imagens do arsenal de fuzis que Adriano tinha a seu dispor e teve acesso a diálogos que comprovam que, mesmo em fuga, ele seguia dando ordens para seus comparsas — um policial militar entre eles —, ameaçava desafetos, negociava cavalos de raça e monitorava os passos da contravenção no Rio.

“Já tô no rancho. Fica trank. Segue com Deus. Vai dar certo“. Essas foram as últimas mensagens enviadas pelo miliciano, cerca de seis horas antes de ser morto, na manhã de 9 de fevereiro. Na madrugada anterior, ele havia chegado ao sítio do vereador do PSL Gilsinho da Dedé, que esperava usar como esconderijo. O texto foi endereçado à Julia Emilia Mello Lotufo, viúva de Adriano, atualmente foragida: nesta segunda-feira, ela foi alvo da Operação Gárgula, contra a organização criminosa responsável pela movimentação financeira e lavagem de dinheiro do espólio criminoso deixado por Adriano. Poucas horas antes da mensagem, Julia avisou a Adriano que ele deveria fugir: “Não fica mais aí”. Foi a senha para ele deixar a casa do seu amigo e fazendeiro Leandro Guimarães, onde estava hospedado, e ir para o rancho isolado onde acabou sendo encontrado.

Segundo o MP, mesmo fugindo da polícia, Adriano seguia negociando cavalos de raça, uma das atividades em que lava o dinheiro proveniente do crime. “Povo aqui botou 200 no cavalo. Você dizendo que arruma mais aí. Já dei a palavra”, escreveu o miliciano a um interlocutor no dia 3 de fevereiro. Outras mensagens expõem a rede de apoio que o ex-caveira tinha na Bahia. Depois da fuga da Costa do Sauípe, ele mandou que um comparsa — ainda não identificado, mas que usava um número do estado de Sergipe — fizesse uma mala para que ele pudesse fugir para o interior. “Traga minha rede azul e edredom, minhas coisas de fazenda, facas. Devo viajar logo”, determinou.

Num terceiro aparelho, os peritos do MP encontraram o arsenal de Adriano. Seis fotos de fuzis diferentes foram feitas com o celular e enviadas pelo miliciano a um interlocutor por um aplicativo de mensagens. Uma das armas é camuflada e outras duas apresentam lunetas telescópicas e tripés, ideais para tiros de precisão. De acordo com as investigações do MP, o Escritório do Crime, quadrilha de matadores de aluguel fundada por Adriano, usava esse mesmo tipo de armamento para praticar alguns dos crimes para os quais eram contratados. No aparelho, também havia fotos de munição calibres .308 e .30.
Adriano tinha fotos de vários fuzis num dos seus celulares Foto: Reprodução

Dos nove celulares apreendidos com Adriano, só em três haviam dados que podiam ser extraídos. As informações retiradas dos aparelhos foram usadas pelo MP na investigação sobre o destino de seu espólio. Quando ainda era PM, Adriano recebeu do então deputado Flávio Bolsonaro a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio.

A homenagem foi dada a pedido do pai do hoje senador, o presidente Jair Bolsonaro, para quem Adriano era “um herói”. O inquérito sobre a morte do miliciano concluiu que houve confronto na ação em Esplanada e descartou a possibilidade de execução e de que a vítima tenha sofrido tortura física. Ao mesmo tempo, a perícia identificou que o ex-PM deu sete tiros contra os policiais, atingindo escudos e partes do imóvel onde ele se escondia.
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