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'Medo e constrangimento': homem conta como foram as horas preso em mercado na Bonocô

Por Notícia na Tela
1 de setembro de 2021 10:00 Comentários
Depois de passar cerca de 3 horas preso em um supermercado na Avenida Bonocô, o baiano Carlos Santana conseguiu sair da unidade por volta de 1h30 desta quarta-feira (1º). Ele precisou aguardar a chegada de um supervisor da unidade para que o Maxxi Atacadão fosse aberto. A Polícia Militar, que ele tentou chamar sem sucesso pelo telefone, até parou lá, após dois amigos acionarem uma viatura, mas afirmou que não podia fazer nada.

"A PM foi dar apoio a dois amigos meus, para ver se conseguia resolver. Falaram que ia ver se mandava viatura (quando liguei), não mandou. A viatura que parou foi porque um casal de amigos meus parou na rua. Se fosse caso de roubo, num instante teria como entrar e me tirar lá de dentro. Como não era roubo, disse que não tinha como", diz Carlos.

Ele diz que só foi liberado do mercado depois que o assunto foi publicado pelo CORREIO e, com a repercussão do caso, a história se propagou. "Depois das postagens, a supervisora, alguma superiora lá de São Paulo, entrou em contato com o encarregado daqui da Bahia para alguém ir lá me tirar", relata. Um funcionário do mercado chegou na madrugada, de bermuda e chinelo de dedo, para 'resgatar' Carlos.

Carlos diz que foi uma das situações mais angustiantes que ele já viveu, temperada com o temor de ser confundido com um ladrão. "Já tenho a pele mais escura, né? Eu rodando dentro daquele supermercado, porque quando eu desci as luzes estavam acesas. Ai pensei: daqui a pouco aciona o alarme aqui, daqui que eu explique que sou cliente, eles acreditarem, já tomei um tiro. Aí veio medo", conta.

Apesar do medo, ele calculou que a melhor maneira de chamar atenção seria realmente fazendo o alarme acionar, mas nem isso ajudou. "Pensei: 'Eles vão chegar, vou levantar os braços, mostrar logo a nota fiscal para provar que não era ladrão'. Acionei o alarme umas cinco vezes", diz. Ninguém apareceu nem assim. "Foi muito medo e constrangimento".

Após uma noite mal dormida, Carlos ainda contabiliza os prejuízos. "Algumas mercadorias descongelaram total", lamenta. 

Compra grande e portão fechado
Ele conta que foi para o mercado fazer uma compra grande e, por isso, demorou bastante tempo. Chegou à unidade por volta das 19h30, gastou quase R$ 1,8 mil.

Ele demorou na fila - diz que a compra foi registrada às 21h33 - e guardando os produtos. "Como o saco lá é comprado, eu pego as caixas que eles deixam lá. Só que estavam muito danificadas. Eu já levo uma fita adesiva para ir lacrando as caixas", conta.

A unidade fecha às 21h, mas permite que os clientes que estão dentro concluam as compras, podendo ficar um pouco mais no local. "Quando o cliente está lá dentro eles aguardam. Eles falam que está chegando a hora de fechar, eles falam para adiantar. Foi o que fiz. 21h eu tava na fila do caixa. Eu saí 21h33. Peguei a mercadoria e fui botando no carro", diz. Quando foi sair, encontrou os portões fechados.

"Foi um momento horrível, que eu só pensava o pior. Até para fazer xixi tive que pegar duas garrafinhas de água, esvaziar e usar. começou a dar vontade de ir ao banheiro. Recolhi o carro, botei uma vaga, deitei o carro e fiquei lá", relembra. 

Depois, ele conseguiu que os dois amigos fossem até o mercado e eles ficaram conversando. Quando o funcionário chegou para liberá-lo, ouviu um "me desculpe". 

Apesar do cansaço, ele até dá algumas risadas ao contar a história. Quando ligou para a mulher para contar que estava preso em um supermercado, ela desconfiou da história, pensando que poderia ser um "zig" do marido. "Achou estranho, né? Que história é essa de mercado? Eu liguei logo, até porque ela estava me esperando", diz ele.
Correio
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