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Bolsonaro liberou emenda milionária para Aziz às vésperas do fim da CPI

Por Notícia na Tela
22 de outubro de 2021 17:38 Comentários
O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) começou a liberar uma "superemenda" no valor de R$ 220 milhões do senador e presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), às vésperas do fim da Comissão, que pedirá o indiciamento do chefe do Executivo Federal por uma série de crimes cometidos durante a pandemia de coronavírus no Brasil, entre os quais crime contra a humanidade. De acordo com informações da revista "Crusoé os recursos foram repassados pelo ministério do Desenvolvimento Regional, e serão destinados "à reconstrução de uma rodovia estadual do Amazonas, a AM-010". A emenda em questão foi negociada pelo senador em 2019, mas o dinheiro foi liberado agora.

À Crusoé, Omar Aziz negou que a liberação dos recursos para sua emenda tenha impactado no texto final da CPI da Covid, que foi lido pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), na quarta-feira (20). O UOL entrou em contato com a assessoria do parlamentar e aguarda retorno. Esta matéria será atualizada quando a resposta for enviada.

"Nada a ver isso aí. Depois do dinheiro depositado, vira uma questão técnica. A minha briga foi lá atrás para colocar o dinheiro. Depois que está lá, mano, esquece", declarou Aziz à revista.

Aziz afirma que Bolsonaro será investigado 

Durante a sessão da CPI da Covid para a leitura do relatório elaborado por Renan Calheiros, o presidente da Comissão, Omar Aziz, afirmou que as provas dos crimes cometidos por Jair Bolsonaro "são muito grandes" e que o presidente será investigado, "pois ninguém está acima da lei"

Segundo o parlamentar, a Comissão "tem provas muito grandes em relação à conduta" do mandatário durante a crise sanitária no país iniciada em março de 2020. "Nenhum cidadão está acima da lei, e isso vale para o presidente Jair Messias Bolsonaro, ele será investigado sim", declarou.

Na ocasião, Omar Aziz também criticou a fala do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) de que seu pai, o presidente Bolsonaro, teria como reação às denúncias imputadas a ele pela CPI, rir das acusações. O senador lembrou que o chefe do Executivo Federal já tinha dado "gargalhada da falta de ar" ao imitar pessoas doentes com a covid-19.

"Eu me entristeço muito por uma razão. Eu me entristeço porque agora eu estava vendo uma matéria - me mandaram um negócio aqui em que eu não quero crer - segundo a qual o presidente, quando leu o relatório, ou foi avisado do relatório, deu gargalhada", afirmou Aziz.

"O presidente deu gargalhada da falta de ar, o presidente deu gargalhada quando mandou a mãe comprar vacina. Presidente, a gente tem respeito pelo cargo de vossa excelência, é a maior autoridade deste país. Vossa excelência tenha certeza de que nós não vamos permitir que nenhum cidadão, seja a autoridade que for, ache que pode engavetar esse relatório", acrescentou.

Segundo Aziz, o relatório passa a ser não somente da CPI, mas também das vítimas da covid-19 e dos mais de 600 mil brasileiros que morreram em decorrência da doença.

"Presidente, o país precisa de afeto, e as imputações que estão sendo feitas contra a sua administração e contra a sua pessoa são imputações muito sérias. Rir neste momento... Não creio que seja uma risada de alívio; pelo contrário, a sua risada é de temor, porque a justiça vem, vem pelos homens e vem pela justiça divina." 

O texto final da CPI da Covid irá para votação na próxima terça-feira (26).
UOL