O pastor Elias Cardoso, líder da Assembleia de Deus de Perus, em São Paulo, causou polêmica na última segunda-feira (16), que os organizadores do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula (PT), terão câncer na garganta.
“Eles tripudiaram a nossa fé. Não vamos responder, vamos orar. Quando eles estiverem com câncer na garganta, vão lembrar com quem mexeram”, declarou o pastor.
Pastor se revoltou com a ala “Neoconservadores em Conserva”
A revolta do pastor Elias Cardoso tem origem em uma ala específica do desfile da agremiação fluminense. A Acadêmicos de Niterói levou para a avenida uma crítica aos grupos que compõem a base de oposição ao governo Lula.
Denominada “Neoconservadores em conserva”, a ala apresentava componentes fantasiados de latas de conserva que estampavam a imagem de uma família tradicional (pai, mãe e dois filhos). O enredo mirou quatro pilares do neoconservadorismo:
- O agronegócio;
- Mulheres de classe alta;
- Defensores da ditadura militar;
- Segmentos evangélicos.
Segundo a escola, a sátira focou na atuação desses grupos contra pautas defendidas pelo governo, como o fim da escala de trabalho 6×1 e as discussões sobre privatizações.
Quem é Elias Cardoso, pastor que desejou câncer na garganta?
O pastor Elias Cardoso não é uma figura nova no cenário religioso e político paulista. Ele preside a AD Perus (Assembleia de Deus Ministério de Perus), uma denominação com 77 anos de tradição.
À frente do ministério há cerca de 20 anos, Cardoso é conhecido por sua influência e trânsito no meio político. Em setembro de 2025, ele recebeu o Colar de Honra ao Mérito Legislativo na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), a maior honraria da casa, por iniciativa do deputado André Bueno (PL).
Reações Políticas
A fala do pastor e o conteúdo do desfile dividiram opiniões em Brasília. A senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF) definiu a apresentação da escola de samba como “inadmissível”. Para a parlamentar, houve uso de verba pública para “ridicularizar a Igreja Evangélica”.
Nas redes sociais, outros políticos de oposição reforçaram o protesto publicando imagens geradas por inteligência artificial que exaltavam a “família conservadora”, em uma resposta direta à estética de “lata de conserva” utilizada na Sapucaí.
